quarta-feira, 22 de julho de 2015

O dia em que resolvi apostar em mim

Não tem sido um ano fácil, abrindo mão de muitas coisas que conquisto desde os quinze anos (quando tive o primeiro emprego), mas ao mesmo tempo tem sido um tempo diferente, dando espaço pra que essas coisas tomem dimensões diferentes das que tiveram até hoje.

Parei pra pensar em quanto tempo, dinheiro, emoções e vida apostamos nos outros. A gente gasta tanto depositando confiança em pessoas que acabamos de conhecer, por exemplo, mas quando o assunto é confiar em nós mesmos, parece que tem algo sempre mais importante. Investimos nas ideias e nos planos dos outros, nas empresas dos outros, mas as nossas ideias, os nossos planos, o nosso lado empreendedor, ficam escondidos, deixados pra depois.

Não é fácil se dar essa oportunidade e lidar com todos os poréns que ela traz (deixar de ter seu apartamento, ter menos grana, não ir mais aos lugares que você sempre ia), mas em alguns momentos da vida isso é necessário, aliás, mais do que necessário, é vital. Os nossos desencontros com o mundo e com nós mesmos podem nos levar a um lugar em que temos que decidir se vamos lutar ou se vamos nos entregar (seja à depressão, seja a um emprego em que você não é respeitado ou em que não acredita no que faz, seja a um relacionamento abusivo porque é o que tem pra hoje, seja pra um milhão de coisas às quais abaixamos a cabeça e deixamos passar, mas que nos marcam profundamente).

É difícil aceitar que nós merecemos uma chance, que nós somos algo que merece investimento. Conversando com uma amiga (Um tempo comigo), descobri que temos que nos arriscar a sermos nós mesmos.

Vamos botar a cara no sol e ter coragem de apostar na única pessoa/coisa que vai dar resultados (positivos e negativos) pra gente até o fim da vida: nós mesmos. Mesmo que não saia como o planejado, sempre teremos esse risco tomado como uma vitória e como uma mudança na nossa autoestima e autoimagem: a gente vale a pena. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Uma opinião que não interessa

Essa é só mais uma opinião que não interessa: a do outro. Ultimamente tenho tido a impressão de que, apesar de termos liberdade de expressão (?), ninguém quer discutir e ouvir dois ou até oito lados da mesma história. Todo mundo quer estar certo e isso não leva a lugar nenhum.

Às vezes paro e penso que esquecemos que vivemos relacionamentos sociais, onde quer que estejamos, e como todo relacionamento há de haver concessões. O que assistimos hoje é um "cada um por si" coletivo. Pode não fazer nenhum sentido lógico, mas é o que temos vivido. Estamos indo pra rua para pedir uma vida melhor pra nós mesmos, não para todos. Eu estou indo lá pela minha família, não pela família brasileira. Só que é esse pensamento e estilo de vida individualista que nos trouxeram aonde estamos hoje.

Estamos em disputa com brasileiros que discordam de nós, mas que no fundo querem a mesma coisa: um país melhor - e não é um digladiar intelectual, é um ataque pessoal. Odiamos e insultamos quem não pensa como a gente, nos armamos com ofensas e argumentos forjados à ferro para marcar a cara do coleguinha. E para quê? Para que taxar alguém porque se identifica com determinado partido? Por que ser pró-Dilma é a única maneira de pensar uma nação justa? Por que ser crítico fervoroso do governo é um atestado de palermisse?

Uma coisa que tenho aprendido na vida é que escolha política depende de sua vivência emocional durante determinado mandato. Se você estava bem durante determinado mandato, seguro economicamente, aquele partido é bom. Dane-se o desenvolvimento, danem-se as mudanças e as melhorias que não foram feitas pra mim. Vamos sair da adolescência política? Precisamos nos abrir aos 50% de chance de estarmos errados. Chegou a hora de deixarmos o emocional para lá e irmos para o tático - o que pode realmente ser feito? Pelo que podemos lutar de verdade?

Estamos nos afogando em um mar de afastamento e egoísmo. "Eu não sou igual àquele lá", "como tirar essa corja do poder?", "impeachment já".  Todos nós somos responsáveis pelo que está acontecendo no país e é isso que ninguém quer admitir! "Ah, mas eu não votei em fulano", ok, mas ledo engano é acreditar que o governo é resultado do trabalho somente dos que foram eleitos. Você, sentado no sofá da sua sala, é culpado também do que está acontecendo. Somos todos cobaias de experimentos sociais enquanto nos deixarmos estar nesse lugar, quer seja mais à direita, quer seja mais à esquerda.

Luto pelo país só pode ser concebível se variar do verbo lutar. Não se enterra quem está vivo (a não ser com muito sadismo) e deveríamos ter vergonha de desistir de nosso país e declarar isso publicamente. Como cantar "verás que um filho teu não foge à luta" se você está simplesmente fazendo isso? Rejeitar um país que proporcionou a você o status que tem hoje (mesmo que em risco) é muito non-sense. Você tem seu carro, sua casa, seu currículo porque esse país proporcionou isso a você. Gente esforçada tem no mundo inteiro, inclusive nas periferias - no Brasil, o sucesso muitas vezes não é questão somente de esforço, mas de oportunidade.

Não estou dizendo para se conformar, aplaudir, aceitar ou calar. Só pense que juntos somos mais fortes e que se formos capazes de achar um único ponto de convergência entre todas as desavenças, um único problema comum para solucionarmos JUNTOS, podemos, sim, mudar o país. Direita, esquerda, centro-avante, retroflexo, deveriam ser "apenas" maneiras de viver e de pensar a sociedade diferentes, mas o modo de viver brasileiro deveria ser único, por um Brasil melhor para todos e isso envolve abrir mão de alguns privilégios para poder abraçar a necessidade do outro. Esse outro que nem queremos saber a opinião, só enfiar a nossa goela abaixo.

Mas quem sou eu pra falar algo sobre isso? Sou só o outro, que questiona a sua opinião e a minha também. Nem vale a pena ter essa menina no facebook, como faz pra excluir mesmo?

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Dia a dia

O dia dos pais já passou e acho lindas as declarações de amor de todo mundo, apesar de não entender muito esse trem, rs. 

Mas acredito que é importante também celebrar as pessoas que estão na nossa vida com nomes diferentes, todos os dias.

Tem gente que não tem pai. Tem gente que não quer ter.
Tem gente que não referência biológica. Tem gente que não tem o que tradicionalmente se chama de família, mas o importante é homenagear diariamente as pessoas que te formaram, porque não se chega a lugar nenhum sozinho.

Sejam amigos (imaginários ou não), avós, primos, padrinhos, tios, ou pessoas que não tinham a mínima obrigação de estarem lá e por isso merecem o maior amor e o maior respeito que alguém poderia dar.

Não ligo para datas comerciais, mas acho que é no dia a dia que honramos, amamos e fazemos felizes com as pequenas e grandes escolhas as pessoas que mais importam e que mais se importam com a gente.

Feliz dia a dia, amados.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ateu?

Não é que eu não quero acreditar. Ultimamente tenho desejado profundamente acreditar que existe realmente alguém cuidando de mim, de nós, e que nada é em vão. Que todos estamos aqui com uma missão, nem que ela seja morrer com 4 anos de vida devido a um câncer.

Pra quem foi criado e acreditou muito em determinada religião, é muito sério assumir que você abre mão de toda culpa confortante que lhe cercou durante anos. Que a páscoa é só chocolate e que o natal é só pra reunir a família.

Tem gente que acha que é fácil desacreditar, que é obra de "coisas ruins", mas o pior é que não é. É muito difícil se questionar internamente sobre esses assuntos. E acredito que se temos a habilidade de refletir, ela não veio a toa e muito menos emprestada de algo ruim que tenta dominar o mundo (tipo um doutor abobrinha, só que bem maltratado).

O mais difícil pra mim não é acreditar em um ser invisível capaz de ouvir todos no mundo.
Ou que pôde existir bondade humana a um extremo que só em livros podemos conhecer.

É difícil de acreditar que alguém tão bondoso possa condenar um povo a pragas bíblicas ou deixar de me aceitar porque eu cometi alguns pecados durante a vida.


É difícil de aceitar que o deus em que eu acredito invalida todos os outros credos, todas as outras religiões, que, aliás, não são religiões porque não são a minha. Que anula o ser humano que não é digno de seu amor, por simplesmente discordar de algumas coisas.


É difícil admitir que a lógica, apresentada pelos homens que escreveram um dos livros sagrados mais lidos e por outros que interpretam esses escritos, hoje ainda está correta: que alguns tipos de amor são proibidos ao invés de serem celebrados por não serem guerra, que as mulheres não tem valor nenhum ao invés de serem consideradas seres humanos, que a família só pode existir com pai e mãe ao invés de existir aonde tem amor.

Que escritos em um livro valem mais do que uma vida, do que a dignidade que as pessoas têm simplesmente por existirem e não porque fizeram sacrifícios ou temem a um ser intangível. Ser esse, o único que conhece o que vem depois da morte. Acho estranho a religião ser, principalmente, a meu ver, um jeito que encontramos de lidar com o medo da morte.

Que exista alguém ou algo superior a todos nós que permita, porque tudo é sua obra, que crianças morram de fome, que vidas sejam abandonas e que pessoas boas adoeçam e sofram em seus últimos dias o que nunca causaram a ninguém. Independentemente de qualquer justificativa karmica, não acho válido que alguma vida mereça sofrimento e não acho que nenhuma justificativa seja plausível para a dor e a tristeza.

Acho que prefiro acreditar que tudo é fatalidade da sociedade que evoluiu (des)controladamente e consequência das ações do homem. Que a fome, os desastres naturais, as doenças, de alguma forma estão ligados à (des)evolução do homem e não a uma punição ou a um castigo imposto e friamente planejado por alguém.

Prefiro acreditar que os milagres são obras dos homens. De sua inteligência e de sua fé, que não precisa ser religiosa, mas que se manifesta como força do pensamento.

Se esse é meu teste de fé, eu falhei, como diria uma amiga.
Mas se existe realmente alguma força, não acredito que eu vá ser punida simplesmente por usar dois dos dons, naturais ou criacionais, que todos temos: o pensamento e o livre arbítrio.

Só sei que não me limito a ter ou não determinada religião.
Tudo está sempre em transformação, quem dirá o meu deus.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Feliz dia dos lados.

No dia internacional da mulher, lembrei-me do Chico. O primeiro artista que eu conheci que deixou aflorar seu lado feminino nas composições de músicas que marcaram toda uma cultura popular, (talvez) sem se preocupar com os efeitos.
E ele não é mais ou menos homem (com sorte e um pouco de inteligência nem passou isso por sua cabeça) por escrever uma música como se fosse uma mulher, ele é o que é. O que somos. Femininos e masculinos dentro de um mesmo gênero.
Acho infantil acreditarmos que poesias que falam o quanto a mulher é especial por ser mulher podem retratar a complexidade de ser algo, alguém ou alguma coisa. Ser humano é possuir dois lados, é não caber dentro de um adjetivo. E não estar em conflito com nenhum deles é motivo de comemoração.

Ao invés de postar uma poesia bem comum ou discurso feminista bem batido, gostaria de refletir na obra do artista a comemoração de não precisarmos ser alguma coisa para sermos celebrados, somos tudo.

Feliz dia dos lados. Dos dentros fora e dos foras dentro. Da união do feminino e do masculino. Do indefinido, tão bom de ser humano. Chega de sexismo.



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Unidade.

Sempre pensamos o eu como algo único.
Não só por nossa individualidade e personalidade. Não só porque não existe (?) outro ser igual a nós.
Mas porque nos condenamos a ser uma coisa só.

Crescemos aprendendo a revelar um único eu, sem imaginar que todos os outros ficam ali, às vezes quietos, às vezes mais manifestos do que podemos perceber.


Achamos que ser bonito é brilhar como um diamante.

Nos preocupamos com as estéticas manifestações externas e, assim, deixamos de conhecer as internas.

Esquecemos que comportamos dois e outros gêneros. Que somos masculinos e femininos.
Que diminuímos por dentro para crescer por fora. E que os anos passam para que possamos esquecer que um dia fomos melhores.

Enxergar nossa beleza mais invisível é aceitar nossa identidade independentemente do que está a nosso redor.

Espero poder ver o dia em que a expressão do autoconhecimento não seja taxada, julgada e agredida. Somente discutida, pois argumentar faz parte da nossa natureza.


E houve um tempo em que cabíamos dentro de tudo que somos feitos.

Agora tentamos encaixar no que sobrou.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Deus e seus eus

A fé é a melhor dádiva que a força do pensamento pode nos dar.
Nada acontece sem a nossa vibração.
Monstros embaixo da cama, milagres inexplicados e significados extremos em uma sensação.

Os inúmeros "Deus" que conhecemos se digladiam em um poderoso olimpo, entre as diversas peças que nossa fé encena.
Não estou falando de religião, mas de como as pessoas o veem e se relacionam com Ele (ou ele), Ela, o que seja.
No fim é tudo produto de nossa mente, de nosso pensamento.

As coisas, as não coisas e as pessoas só têm força porque acreditamos nelas.
Deus e seus eus, Deus e nossos eus.