Essa
é só mais uma opinião que não interessa: a do outro. Ultimamente tenho tido a
impressão de que, apesar de termos liberdade de expressão (?), ninguém quer
discutir e ouvir dois ou até oito lados da mesma história. Todo mundo quer
estar certo e isso não leva a lugar nenhum.
Às
vezes paro e penso que esquecemos que vivemos relacionamentos sociais, onde
quer que estejamos, e como todo relacionamento há de haver concessões. O que
assistimos hoje é um "cada um por si" coletivo. Pode não fazer nenhum
sentido lógico, mas é o que temos vivido. Estamos indo pra rua para pedir uma
vida melhor pra nós mesmos, não para todos. Eu estou indo lá pela minha
família, não pela família brasileira. Só que é esse pensamento e estilo de vida
individualista que nos trouxeram aonde estamos hoje.
Estamos
em disputa com brasileiros que discordam de nós, mas que no fundo querem a
mesma coisa: um país melhor - e não é um digladiar intelectual, é um ataque
pessoal. Odiamos e insultamos quem não pensa como a gente, nos armamos com
ofensas e argumentos forjados à ferro para marcar a cara do coleguinha. E para
quê? Para que taxar alguém porque se identifica com determinado partido? Por
que ser pró-Dilma é a única maneira de pensar uma nação justa? Por que ser
crítico fervoroso do governo é um atestado de palermisse?
Uma
coisa que tenho aprendido na vida é que escolha política depende de sua
vivência emocional durante determinado mandato. Se você estava bem durante
determinado mandato, seguro economicamente, aquele partido é bom. Dane-se o
desenvolvimento, danem-se as mudanças e as melhorias que não foram feitas pra
mim. Vamos sair da adolescência política? Precisamos nos abrir aos 50% de
chance de estarmos errados. Chegou a hora de deixarmos o emocional para lá e
irmos para o tático - o que pode realmente ser feito? Pelo que podemos lutar de
verdade?
Estamos
nos afogando em um mar de afastamento e egoísmo. "Eu não sou igual àquele
lá", "como tirar essa corja do poder?", "impeachment
já". Todos nós somos responsáveis
pelo que está acontecendo no país e é isso que ninguém quer admitir! "Ah,
mas eu não votei em fulano", ok, mas ledo engano é acreditar que o governo
é resultado do trabalho somente dos que foram eleitos. Você, sentado no sofá da
sua sala, é culpado também do que está acontecendo. Somos todos cobaias de
experimentos sociais enquanto nos deixarmos estar nesse lugar, quer seja mais à
direita, quer seja mais à esquerda.
Luto
pelo país só pode ser concebível se variar do verbo lutar. Não se enterra quem
está vivo (a não ser com muito sadismo) e deveríamos ter vergonha de desistir
de nosso país e declarar isso publicamente. Como cantar "verás que um
filho teu não foge à luta" se você está simplesmente fazendo isso?
Rejeitar um país que proporcionou a você o status que tem hoje (mesmo que em
risco) é muito non-sense. Você tem seu carro, sua casa, seu currículo porque
esse país proporcionou isso a você. Gente esforçada tem no mundo inteiro,
inclusive nas periferias - no Brasil, o sucesso muitas vezes não é questão
somente de esforço, mas de oportunidade.
Não
estou dizendo para se conformar, aplaudir, aceitar ou calar. Só pense que
juntos somos mais fortes e que se formos capazes de achar um único ponto de
convergência entre todas as desavenças, um único problema comum para
solucionarmos JUNTOS, podemos, sim, mudar o país. Direita, esquerda,
centro-avante, retroflexo, deveriam ser "apenas" maneiras de viver e
de pensar a sociedade diferentes, mas o modo de viver brasileiro deveria ser
único, por um Brasil melhor para todos e isso envolve abrir mão de alguns
privilégios para poder abraçar a necessidade do outro. Esse outro que nem
queremos saber a opinião, só enfiar a nossa goela abaixo.
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