sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Deus e seus eus

A fé é a melhor dádiva que a força do pensamento pode nos dar.
Nada acontece sem a nossa vibração.
Monstros embaixo da cama, milagres inexplicados e significados extremos em uma sensação.

Os inúmeros "Deus" que conhecemos se digladiam em um poderoso olimpo, entre as diversas peças que nossa fé encena.
Não estou falando de religião, mas de como as pessoas o veem e se relacionam com Ele (ou ele), Ela, o que seja.
No fim é tudo produto de nossa mente, de nosso pensamento.

As coisas, as não coisas e as pessoas só têm força porque acreditamos nelas.
Deus e seus eus, Deus e nossos eus.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

desficar

Uma semana passa quase tão rápido quanto uma vida inteira. Penso, penso, penso, penso, mas não consigo entender. Não compreendo nada.

- Entender o quê? - você me pergunta. E eu te digo: sei lá, tudo o que possa passar pela minha cabeça agora.

Ninguém mentiu pra mim e disse que a felicidade realmente vem se você seguir as regras.
Na verdade acho que li isso em algum livro ou vi em algum filme e achei que, se eu realmente acreditasse nisso, isso se tornaria verdade para mim. Tenho certeza de que isso está escrito em algum lugar, pois tantas pessoas acreditam nisso... Pode até ser um conto de tradição oral, mas... ah.

Será que o pensamento tem poder mesmo? Será que devemos sentir todo esse medo?
De morrer, de errar, de acertar, de perder... de viver.
De mostrar sua índole, de perdê-la, de descobrir que você não é o que pensava (quem dirá os outros!).

"Foi aquela multidão que entortou o rosto e o coração" (AL), mas será que sozinha, longe da multidão, ela conseguiria fazer diferente?

Não sei, não sei, não sei.
Só me afasto das convenções, do racional e isso dói, porque remar contra a maré é remar contra si mesmo.
É superar todas as suas forças e condicionamento social rumo ao que você acha estar em um lugar que pode nem existir - afinal o racional sempre está acima de tudo, ou não?
E isso não é normal, é uma amputação de tudo que você aprendeu com o mundo. Isso! Acho que talvez o sentimento seja de uma amputação. Quando você perde algo que sempre esteve ali, que parecia essencial, mas que não vai voltar e você se pergunta: será que a vida é só tudo isso mesmo?

Mas e aí? O que é verdade?
As punições de deus? O céu e o inferno?
Será que é possível que alguém saiba tudo o que você faz em todos os momentos e faz um gráfico de quão bom ou mau você é? Acho que isso foi só parte da institucionalização da barbárie.

A única verdade é que gentes morrem.
Gente boa, gente ruim, gente mais ou menos, (indi)gente, gente tudo.
E gentes ficam.
Ser uma gente ficante, passante, transeunte pela vida é o que é: fácil, difícil, meia-boca...
Mas eu acredito (e espero que se torne verdade pra mim) que essa é só uma passagem.
Um ponto de ônibus em que a gente desce, vira gente ficante e depois desfica.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Ainda

Eu ainda sinto a parte boa das pessoas, ainda vejo uma luz no fim do túnel, ainda ouço através do silêncio, ainda tantas coisas que eu nem sei direito.

Mas de que vale esse ainda?
Preferir acreditar que o instinto errou é desculpar o outro, tirar a culpa dele por não cumprir quem mostrou que era. Quando a interpretação de um papel falha, não tem prêmio de consolação, nem segundo lugar.

Só sei que tudo deve ser feito de opostos, pois é na diferença extrema que definimos quem somos. Assim como a música de Lulu Santos, "nós somos medo e desejo, feitos de silêncio e som".

E é verdade, se não tivéssemos escuridão dentro de nós, não poderíamos conceber a luz.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

meio

antes de mim vem o encontro
antes de mim vem a paixão
antes de mim vem o ato


aí eu existo.
na humanidade medonha, sem escrúpulos e que me enoja.
eu sou parte dela, seu reflexo e reflexão.
sou o monstro embaixo da cama, dentro do armário.
sou tudo o que aponto e que temo.


a morte vem depois de mim
junto com o etéreo, a dúvida, deus (?)
o antes e o depois não são meus.


o problema é o meio em que todos nós nos encontramos
o meio entre o que somos e o que não somos
os começos e finais são sempre resolutos
são os meios que mudam tudo
de ir, de voltar, de ficar, de ser


meio de transporte entre o eu e o outro
meia estação de distância
e quilômetros de ligação

quarta-feira, 16 de maio de 2012

É um real aí, é um real.

Uma vez ouvi uma pessoa dizer: você se valoriza demais.
Incrédula, ri e não respondi.

Afinal, todos sempre dizem: se valorize, ninguém o irá fazer se você não o fizer.
Mentira, ninguém vai lhe valorizar, só você mesmo.
Quem lhe valoriza, lhe respeita e ponto.

Aliás, essa coisa de valor é muito relativa.
Algumas pessoas são como aquelas balinhas de eucalipto: ou você compra por dó do vendedor, ou porque nunca provou.

E se pudesse colocar a essência dessas pessoas em um potinho, teria que fazer cara de dó e gritar: "É um real aí, é um real."
Quem sabe alguém compra?

domingo, 13 de maio de 2012

Quem diria?

A saliva que ajuda a digerir palavras mal temperadas e sapos crus,
também ajuda a mentir lambidas para se chegar aonde quer.
                                        Mas será que se sabe o que quer?
Salivante carinho, desprezo e caminho.
Irritante e apassivadora, causadora das guerras e dos tratados de paz

Multi-funcional, essa fofoca do nosso corpo.
Ainda bem que a alma não tem disse me disse.

Palavras que tornam doce o veneno e amarga a verdade.


domingo, 29 de abril de 2012

Maçã Envenenada

Não, eu não tenho tempo para lidar com a sua loucura.
Sua carência e "mal-amamento" não me pertencem.
Assim como cada escolha e cada passo, cada vitória e cada lágrima são somente seus.

O tempo é seletivo, assim como a memória e, infelizmente, a minha não fez uma playlist favorável ao que te pertence.

Engraçado como sempre queremos implicar a outra pessoa o que de ruim passa com a gente.
Se fosse bom, pode ter certeza, trancaríamos em nossos baldinhos coletores de glórias e o priorizaríamos como se fosse amor.

Amor, amor, amor, amor.
Às vezes a palavra parece uma fruta.
Será que é maçã envenenada?

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Rei do quê?

Era uma vez uma rainha.
Seu mundo era torto, como todo aquele que possuía somente um interesse: o próprio.
Mas os quadros ficavam bem na parede e os espelhos refletiam somente o que era de seu desejo.
Então, a aparência, que tanto a enrugava, seguia suas ordens.

Não espere, leitor, reviravoltas ou donzelas nesse pedaço de terra, pois era tão cheio de vazio que não havia entrada para quem tinha coração cheio.

Então, observava seus empregados como aquilo que eram: simples demais para entender uma mente tão peculiar.
Realmente eram simples os poucos que conseguiam restar, simples demais na arrogância, na falta de caráter e, principalmente, na falta de respeito.

Mente peculiar aquela que tenta desmandar uma personalidade para não ver nada crescer.
Como se aguasse demais uma planta, todos os dias.

Mas a verdade mais pura era que lhe faltava o amor.
Não aquele que vem e vai, vem e vai, mas o que queria ficar.
Ao seu redor preperava um lodo escorregadio, aprisionava alguns, mas não era a mesma coisa.

Pertencer não significa querer ficar.
Ser rei não significa mandar, pois quem tem poder é aquele que dá força para que o castelo de cartas não caia. O povo.

E você, o que anda sustentando por aí?