quarta-feira, 10 de outubro de 2012

desficar

Uma semana passa quase tão rápido quanto uma vida inteira. Penso, penso, penso, penso, mas não consigo entender. Não compreendo nada.

- Entender o quê? - você me pergunta. E eu te digo: sei lá, tudo o que possa passar pela minha cabeça agora.

Ninguém mentiu pra mim e disse que a felicidade realmente vem se você seguir as regras.
Na verdade acho que li isso em algum livro ou vi em algum filme e achei que, se eu realmente acreditasse nisso, isso se tornaria verdade para mim. Tenho certeza de que isso está escrito em algum lugar, pois tantas pessoas acreditam nisso... Pode até ser um conto de tradição oral, mas... ah.

Será que o pensamento tem poder mesmo? Será que devemos sentir todo esse medo?
De morrer, de errar, de acertar, de perder... de viver.
De mostrar sua índole, de perdê-la, de descobrir que você não é o que pensava (quem dirá os outros!).

"Foi aquela multidão que entortou o rosto e o coração" (AL), mas será que sozinha, longe da multidão, ela conseguiria fazer diferente?

Não sei, não sei, não sei.
Só me afasto das convenções, do racional e isso dói, porque remar contra a maré é remar contra si mesmo.
É superar todas as suas forças e condicionamento social rumo ao que você acha estar em um lugar que pode nem existir - afinal o racional sempre está acima de tudo, ou não?
E isso não é normal, é uma amputação de tudo que você aprendeu com o mundo. Isso! Acho que talvez o sentimento seja de uma amputação. Quando você perde algo que sempre esteve ali, que parecia essencial, mas que não vai voltar e você se pergunta: será que a vida é só tudo isso mesmo?

Mas e aí? O que é verdade?
As punições de deus? O céu e o inferno?
Será que é possível que alguém saiba tudo o que você faz em todos os momentos e faz um gráfico de quão bom ou mau você é? Acho que isso foi só parte da institucionalização da barbárie.

A única verdade é que gentes morrem.
Gente boa, gente ruim, gente mais ou menos, (indi)gente, gente tudo.
E gentes ficam.
Ser uma gente ficante, passante, transeunte pela vida é o que é: fácil, difícil, meia-boca...
Mas eu acredito (e espero que se torne verdade pra mim) que essa é só uma passagem.
Um ponto de ônibus em que a gente desce, vira gente ficante e depois desfica.